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Colecistite Aguda

Corpus Sanus - Glossário de Doenças

Pesquisa Avançada

Define-se como uma distensão e inflamação da vesícula biliar resultante da obstrução do canal cístico por um cálculo (pedra) que, em 80% dos casos, é proveniente da vesícula. A colecistite aguda é a complicação mais frequente da litíase biliar (cálculos na vesícula) e a principal indicação para colecistectomia (nome que se dá à remoção cirúrgica da vesícula) urgente. Esta inflamação pode complicar-se, em cerca de 50% dos casos, com uma infeção por bactérias. Em 20% dos casos, a colecistite aguda é alitiásica, isto é, não resulta de obstrução por cálculos, mas sim por outro processo – tumores, traumatismos, alimentação endovenosa, infeções primárias bacterianas. A obstrução intermitente do canal cístico, não associada a distensão e inflamação da vesícula, causa cólicas biliares.

Os doentes em risco de colecistite aguda são: doentes com cálculos na vesícula ou tumores próximos das vias biliares, doentes queimados, vítimas de traumatismos ou infeções generalizadas graves, grávidas, doentes com deficiência do sistema imunitário, doentes em jejum prolongado ou sob alimentação endovenosa. Os doentes diabéticos e os idosos são mais suscetíveis a complicações da colecistite aguda.

O quadro clínico inicia-se com dor localizada ao epigastro (abaixo do esterno) ou região subcostal direita, por vezes com irradiação para o ombro, ou para a omoplata do mesmo lado, e que agrava com a inspiração. Cerca de 75% dos doentes têm cólicas biliares prévias. Ao contrário da dor da cólica biliar, a dor da colecistite aguda, normalmente, persiste para além das 6 horas e surge acompanhada de falta de apetite, náuseas, vómitos e febre baixa (geralmente entre os 38,0 e os 38,5ºC). Pode ocorrer icterícia ligeira (pele e olhos amarelados) em 10 a 20% dos casos. A palpação da região epigástrica ou subcostal direita provoca dor intensa e suspensão momentânea da respiração (sinal de Murphy vesicular). Nos doentes idosos a dor pode ser mínima ou inexistente. As principais complicações da colecistite aguda são o empiema ou abcesso (acumulação de pus na vesícula), gangrena e perfuração da vesícula, que pode originar extravasamento do pus e causar uma infeção abdominal ou uma septicemia.

Existem duas abordagens possíveis no tratamento da colecistite aguda:

Atitude interventiva: colecistectomia (remoção da vesícula) nas primeiras 48 horas, preferencialmente por via laparoscópica (operação é efetuada totalmente dentro do abdómen através de pequenos orifícios por onde se introduzem os instrumentos). A cirurgia urgente deve ser efetuada em doentes idosos, diabéticos, com o sistema imunitário fragilizado ou naqueles com colecistite aguda complicada;

Atitude conservadora e expectante: internamento em unidade hospitalar e tratamento com soros intravenosos, antibióticos e analgésicos; colocação de uma sonda nasogástrica se existirem vómitos persistentes. A maioria dos doentes melhora 1 a 3 dias após o início do tratamento conservador. Nestes casos, a intervenção cirúrgica é adiada (cerca de 2 ou 3 meses) de modo a permitir a recuperação do doente. Esta é a abordagem preferida em doentes com elevado risco cirúrgico (ex. doentes com enfartes cardíacos recentes, doentes com cirrose hepática). No entanto, os doentes que não melhoram, ou até pioram, com o tratamento conservador devem ser sujeitos a cirurgia imediata.

Uma vez que a colecistite aguda é uma consequência da litíase biliar, o único modo de a prevenir é reduzindo os fatores de risco que conduzem à formação de cálculos na vesícula. Para isso deve fazer-se uma dieta equilibrada (pobre em calorias e gorduras), controlar o peso e evitar a obesidade, evitar o jejum prolongado, evitar perdas bruscas de peso, controlar os níveis de triglicerídeos no sangue e evitar o uso prolongado de medicamentos que possam favorecer a formação de litíase biliar (nomeadamente pílula ou outros fármacos que contenham estrogénios e fibratos). Estas medidas devem ser especialmente reforçadas em doentes do sexo feminino, diabéticos, grávidas e portadores de doenças inflamatórias intestinais.

O doente com história de litíase da vesícula que inicie sintomas de colecistite aguda deve dirigir-se ao Serviço de Urgência mais próximo, principalmente se for idoso ou diabético.

A maioria dos doentes recupera totalmente dos episódios de colecistite aguda, desde que devidamente acompanhados e tratados. No entanto, quanto mais tardio for o diagnóstico, maior a probabilidade de ocorrerem complicações que podem ser fatais.

Schwartz's Principles of Surgery, 9th Edition, Edited by F. Charles Brunicardi, Dana K. Andersen et al. New York: McGraw-Hill, 2010.

MÉDICOS | CONSULTORES CIENTÍFICOS:

ANA LEBRE, ANA SOFIA TEIXEIRA, BRUNO JORGE PEREIRA, JOSÉ PEDRO CARDA

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