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Eczema

Corpus Sanus - Glossário de Doenças

Pesquisa Avançada

O eczema, ou dermatite, é uma reação inflamatória que envolve a derme e a epiderme. Pode manifestar-se de diferentes formas e tem diversas causas. Frequentemente o termo “dermatite” é utilizado para alterações agudas e o termo “eczema” para doenças crónicas. Os tipos mais frequentes de eczema são o eczema atópico, a dermatite de contacto, o eczema desidrótico, a dermatite seborreica e o eczema craquelé.

O eczema atópico resulta de uma reação de hipersensibilidade cutânea que provoca inflamação crónica. Surge habitualmente nos primeiros anos de vida, desaparecendo, na maioria dos casos, na idade adulta.

A dermatite de contacto é uma reação inflamatória aguda ou crónica a substâncias que contactam com a pele, nomeadamente químicos (ex. detergentes) ou alergenos (ex. níquel).

O eczema desidrótico, ponfolia ou eczema vesiculobolhoso, atinge as palmas das mãos e as plantas dos pés de forma aguda, crónica ou recidivante, sendo mais frequente antes dos 40 anos.

A dermatite seborreica é um distúrbio papuloescamoso habitualmente de evolução crónica. É mais comum no sexo masculino e entre os 20 e os 50 anos, podendo surgir em qualquer idade.

A dermatite asteatótica, ou eczema craquelé, resulta de uma secura marcada da pele (xerose), mais frequente a nível das pernas, braços e mãos. Os idosos são o grupo etário mais afetado.

O eczema atópico é mais frequente em indivíduos com história familiar de eczema atópico, asma ou rinite alérgica. Os episódios de agravamento podem associar-se a desidratação da pele (nomeadamente por banhos frequentes), roupa (ex. roupa de lã), alimentos (ex. ovos, peixe, amendoins, leite), ácaros da casa, pelo de animais, infeções, alterações hormonais (ex. menstruação, gravidez), suor e stresse. Nos climas temperados, piora durante o inverno.

O principal fator de risco para dermatite de contacto é a proximidade com os agentes irritantes ou alergenos implicados na sua origem.

Grande parte dos doentes com eczema desidrótico tem antecedentes de atopia. As crises surgem muitas vezes em relação com períodos de stresse emocional.

A dermatite seborreica associa-se a antecedentes familiares de seborreia e ao aparecimento posterior de psoríase (estado pré-psoriático). É mais frequente em doentes com infeção pelo vírus da imunodeficiência humana (VIH) ou com doença de Parkinson. O stresse parece condicionar exacerbação das lesões.

O eczema craquelé surge pela permanência em ambientes quentes e pouco húmidos, piorando com os banhos quentes muito frequentes, com utilização de sabonetes. A situação agrava-se durante o inverno.

O prurido (comichão) é uma característica constante no eczema. As formas agudas manifestam-se habitualmente por eritema (vermelhidão), edema e formação de vesículas. Nas formas crónicas é comum haver xerose (secura da pele), liquenificação (aumento da espessura da pele), descamação, exsudação e fissuras.

Os doentes com eczema atópico têm sempre prurido, que condiciona escarificação das lesões (traumatismo pelo ato de coçar) e posterior liquenificação. Pode haver alterações da coloração da pele, produzindo manchas. A localização das lesões varia com a idade – nas crianças com menos de 2 anos são mais frequentes na face (poupando a boca), mãos e pés, enquanto que, nas crianças mais velhas e adultos, são mais comuns nas flexuras (parte interior dos joelhos e cotovelos), pescoço, mãos e pés.

Na dermatite de contacto as lesões podem ter formas bizarras que indiciam o desencadeante (ex. lesão no punho por contacto com fecho de relógio contendo níquel) ou limitar-se às áreas expostas aos alergenos transportados pelo ar.

As lesões de eczema desidrótico são semelhantes a grãos de tapioca (vesículas claras) e localizam-se inicialmente nas faces laterais dos dedos, palmas e plantas, e posteriormente na face dorsal das mãos e pés.

Na dermatite seborreica, o prurido nem sempre está presente. O eritema e descamação (crostas secas ou “oleosas” amareladas) surgem nas zonas onde predominam as glândulas sebáceas, ou seja, face, couro cabeludo, peito, dorso e flexuras (dobras). No couro cabeludo a dermatite seborreica manifesta-se por descamação intensa (caspa). Quando surge na infância e na adolescência, desaparece com o crescimento.

No eczema craquelé, como o próprio nome indica, a pele tem aspeto seco e com fissuras (semelhante ao leito seco de um rio), sendo muito pruriginosa.

Numa forma geral, a terapêutica dos distúrbios eczematosos inclui a evicção de desencadeantes, a hidratação da pele, nomeadamente com cremes e pomadas emolientes, e a utilização de corticoides de aplicação tópica na pele. Nos casos em que se observe infeção secundária das lesões, pode ser necessário recorrer a antibioterapia tópica ou por via oral. No eczema atópico e na dermatite de contacto é ainda útil o uso de anti-histamínicos (antialérgicos) orais.

De uma forma geral, a terapêutica dos distúrbios eczematosos inclui a evicção de desencadeantes, a hidratação da pele, nomeadamente com cremes e pomadas emolientes, e a utilização de corticoides de aplicação tópica na pele. Nos casos em que se observe infeção secundária das lesões, pode ser necessário recorrer a antibioterapia tópica ou por via oral. No eczema atópico e na dermatite de contacto é ainda útil o uso de anti-histamínicos (antialérgicos) orais.

No eczema atópico é essencial hidratar a pele e evitar o contacto com fatores desencadeantes, de forma a evitar exacerbação dos sintomas. Da mesma forma, a dermatite de contacto previne-se pela evicção de irritantes (ex. usar luvas ao contactar com detergentes) ou alergenos.

Não existe forma de prevenir as crises de eczema desidrótico ou a dermatite seborreica.

Para prevenir o eczema craquelé é essencial evitar banhos muito frequentes (em especial, banhos de imersão) com água quente, assim como a utilização de produtos com fragrâncias ou outros aditivos. Deve-se optar por óleos hidratantes para o banho e cremes emolientes após o banho.

Perante lesões compatíveis com dermatite ou eczema é importante recorrer ao médico (clínico geral ou dermatologista) para avaliação e orientação terapêutica.


Thomas B. Fitzpatrick, Johnson Richard Allen, Klaus Wolff, Dick Suurmond, Dermatologia Atlas e Texto, 5.ª Edição. Nova Iorque: McGrawHill, 2006.

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