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Viagens de cruzeiro

Viagens de cruzeiro

Jorge Atouguia, especialista em Medicina do Viajante, ensina a prevenir possíveis contaminações em alto-mar

Quando pergunto a um viajante, que vai fazer turismo em zona de risco alimentar, se sabe o que fazer para evitar a diarreia, as primeiras respostas são «não beber água da torneira» e «lavar os dentes com água engarrafada».

Podem estar certas, mas estão incompletas. Nem todos conhecem os múltiplos factores biológicos e sanitários associados à contaminação da água e dos alimentos.

Regra geral, quanto mais nos aproximamos do Equador, maiores são os riscos alimentares. O calor e a humidade favorecem o crescimento de bactérias, vírus e parasitas. A existência destes microrganismos em maiores quantidades facilita a contaminação do corpo (mãos) e da água e alimentos.

Quando existem medidas de higiene alimentar e de saneamento básico eficazes, o risco de doença diarreica do viajante é muito baixo. No entanto, os países das regiões quentes e húmidas são, na maioria, pobres, o que compromete a eficácia destes serviços. Nos cruzeiros, o risco alimentar pode ser maior devido a deficiências de armazenamento, a falhas na confecção ou ainda na conservação dos alimentos preparados.

Da minha experiência, as intoxicações alimentares e diarreias em viagens de cruzeiros têm vindo a diminuir significativamente nos últimos anos. Existem duas razões: os operadores têm vindo a tomar medidas de controlo de qualidade alimentar eficazes e os viajantes estão mais alerta.

Higiene

O incorrecto ou inexistente tratamento da água ou esgotos com funcionamento deficiente são problemas comuns que justificam o conceito de «não beber água da torneira». Se o viajante não bebe água canalizada (porque está contaminada com agentes infecciosos), não pode igualmente ingerir nenhum alimento cru que tenha contactado com essa água, directamente ou por manipulação.

Se a água for fervida (cinco minutos) todos os microrganismos são destruídos. Mas quando os viajantes não podem saber o que se passa na cozinha devem ser cautelosos e considerar todos os alimentos crus ou mal cozinhados como possivelmente contaminados (incluindo o gelo).

Veja na página seguinte: Os cuidados de higiene e alimentares essenciais

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