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Gritar, ofender ou exercer violência física são actos violentos que põe em causa a saúde física e psíquica dos mais idosos. Para combater a violência contra as pessoas idosas, a APAV- Associação Portuguesa de Apoio à Vítima lança, hoje, uma campanha de sensibilização. A dirigente da APAV, Maria Vacas, falou à HdF sobre os vários tipos de violência que se exercem sobre os idosos.
Hospital do Futuro (HdF) - Quais são os objectivos da campanha de sensibilização sobre a Violência Contra as Pessoas Idosas?
Maria Vacas (MV) - A APAV pretende definir a violência contra a pessoa idosa como um problema social e de saúde grave, mostrando exemplos práticos de crimes. Crimes esses que podem ser de variadas índoles, como por exemplo a nível financeiro, através das burlas e extorsões. Com esta campanha pretendemos também responsabilizar os cidadãos para este problema que afecta os mais idosos, sensibilizando-os para os diversos tipos de violência e apelando à denúncia através de contactos rápidos.
HdF - A APAV tem um projecto específico para a Terceira Idade, o Títono. Em que consiste este projecto?
MV - A nossa associação tem apostado na ajuda aos mais idosos desde 1999, o Ano Internacional da Pessoa Idosa. Desde então tentamos fazer um percurso idêntico ao projecto que temos de apoio às mulheres vítimas de violência. O projecto Títono surgiu com o objectivo de apoiar as vítimas de crime e violência, sendo co-financiado pela Direcção-Geral de Saúde e pela Fundação Montepio. No projecto elaborámos um manual que se divide em duas partes: compreender o fenómeno do envelhecimento e saber como se deve proceder face a esta fase da vida. No âmbito do Títono organizamos também acções de (in) formação e sensibilização junto dos profissionais de saúde e dos jovens (do Ensino Básio ao Ensino Superior). Nesta campanha que lançamos hoje vamos ter também informação na rádio, em spots televisivos, panfletos e cartazes, para que a informação chegue a toda a população.
HdF - Qual é a realidade da violência contra pessoas idosas em Portugal?
MV - A APAV lançou recentemente um estudo que demonstra um aumento de 120% de casos de violência contra idosos entre 2000 e 2009. A maioria das vítimas são mulheres e os agressores são, na maioria das vezes, homens. Regra geral há uma relação familiar entre vítima e agressor. Não se trata apenas de violência doméstica, mas também de violência perpetrada pelo filho ou pela filha.
HdF - Qual é o tipo de violência que se exerce sobre os idosos?
MV - A violência inclui maus-tratos físicos e psíquicos, mas também ofensas à integridade física, ameaças, coacção, furto, falsificação de documentos, omissão de auxílio, entre outras.
HdF - E especificamente a nível da saúde?
MV - A nossa associação tem verificado que os profissionais de saúde recorrem cada vez mais a nós em casos de violência física grave. A pessoa tem alta médica, mas em termos sociais continua a ser alvo de violência e precisa de ajuda. Outro problema que se destaca é a depressão. A violência não é só física. Por violência entende-se também a coacção psicológica, o «chamar nomes», dizer à pessoa que já não tem capacidades, etc. Há muitos outros problemas, como a falta de cuidados continuados no caso de a pessoa ter sido vítima de violência física, desidratação, entre outros. Como refere a campanha, a violência magoa, mas o silêncio pode magoar ainda mais.
HdF - Que tipo de apoio podem dar na APAV?
MV - Prestamos apoio a nível social, psicológico e jurídico. Sempre que há um pedido de ajuda elaboramos um projecto que é trabalhado com a pessoa que pede apoio, seja ela o próprio idoso ou familiares, amigos ou outros terceiros.
Conheça a Campanha de sensibilização sobre a Violência Contra as Pessoas Idosas
Estatísticas sobre Violência Contra Pessoas Idosas (2000-2009)
2010-10-07
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As informações disponibilizadas são para conhecimento geral e não substituem de forma alguma o conselho médico apropriado em caso de sentir algum sintoma de doença.