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Veneno de cobra pode tratar doenças como o cancro e a diabetes

Veneno de cobra pode tratar doenças como o cancro e a diabetes

Toxinas venenosas têm a capacidade de se tornar em moléculas inofensivas

O veneno de cobra pode levar ao desenvolvimento de novas drogas para tratar doenças como o cancro, a diabetes e a alta tensão arterial, avança hoje o jornal Nature Communications.

O investigador Gavin Huttley, da instituição médica The John Curtin School, faz parte da equipa internacional que descobriu que as toxinas que fazem com que as cobras e os lagartos sejam mortalmente venenosos podem-se tornar em moléculas totalmente inofensivas, sendo levantada a hipótese, na comunidade científica, de que estas moléculas ‘boas’ poderão ser utilizadas para fins farmacêuticos. 

“O nosso trabalho destaca uma relação fascinante entre moléculas que envolvem o veneno do dos répteis e proteínas de células normais”, diz Huttley.

“Os resultados sugerem que as moléculas venenosas foram modificadas por factores não venenosos na natureza. Pelo contrário, uma molécula tóxica pode ser modificada para uma função benéfica a um organismo, sendo uma descoberta muito interessante para explorar o seu potencial farmacêutico.”

O responsável pelo estudo, Nicholas Caswell, da Liverpool School de Medicina Tropical, Inglaterra, diz que os resultados demonstram uma complexa evolução do veneno da cobra.

“A glândula de veneno de uma cobra aparenta ser um ecossistema propício onde são desenvolvidas novas funções para as moléculas: algumas ficam retidas no veneno para matar as presas, enquanto outras continuam a servir novas funções noutros sítios do corpo,” diz ele.

Wolfgang Wuster, investigador da Universidade Bangor e co-autor do estudo, declara que a descoberta da equipa abre portas a uma nova era para o desenvolvimento de novos medicamentos.

“Muitas das toxinas venenosas das cobras atingem os mesmos caminhos fisiológicos que os médicos gostariam de atingir para tratar várias condições médicas”, diz Wuster.

“Compreender como as toxinas pode ser transformadas em proteínas fisiologicamente inofensivas pode ajudar a descobrir as curas do veneno.”


23 de Setembro de 2012 

@SAPO


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