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Problemas de fala na adolescência

Problemas de fala na adolescência

Obstáculos psicológicos e sociais dos jovens com alterações na fala

Hoje em dia o termo bullying é conhecido de todos nós e, de acordo com o neuropediatra Rui Vasconcelos*, a violência física e/ou psicológica atinge já mais de 40% das crianças. É sabido que a adolescência é um período de intensas mudanças e, por isso, bastante propício ao surgimento de complexos que poderão ser agravados por estes tipos de violência.

Muitas vezes, as mudanças físicas a que os adolescentes estão sujeitos despertam a troça dos colegas, mas a verdade é que, para além das mudanças corporais que todos conhecemos, a fala é parte integrante da identidade dos adolescentes e influencia significativamente a forma como interagem com os seus colegas e familiares. Neste contexto, apresentamos este artigo a "4 mãos", sob as nossas perspetivas de terapeuta da fala e psicóloga, relatando um pouco das nossas experiências (todos os nomes referidos são fictícios).

Quem sou eu?
Ao chegar a adolescência o jovem começa a ter uma crescente consciência da sua imagem e uma grande preocupação existencial: Quem sou eu?

Neste processo, de construção da identidade, os pares assumem um papel crucial. O adolescente não quer ser diferente nem original, ele quer simplesmente ser igual ao seu grupo de referência. Ser igual é a melhor maneira de se ser invisível, é fazer parte, é estar com os outros. O adolescente prioriza acima de tudo a socialização e o divertimento, ficando a família relegada para segundo plano. Se algo vem perturbar o desenvolvimento da identidade social e individual do jovem, nesta fase do desenvolvimento, este acaba por vivenciar sentimentos de extrema solidão, pois se por um lado desinveste na comunicação com os adultos, por outro não se integra num grupo de referência.

A “diferença” é, sem dúvida, um fator que dificulta ou impossibilita a integração social do adolescente pois ele naturalmente vai hiperbolizar a sua diferença, vivenciá-la através de uma lente de aumentar, desenvolvendo níveis de ansiedade significativos e baixa autoestima. Desta forma o adolescente não tem recursos para conseguir lidar com as piadas dos colegas, as alcunhas, com o ser posto em foco. As defesas escolhidas são quase sempre o evitamento social, a retração, a não procura do outro como forma de se proteger da frustração. Como reação o grupo, inconscientemente, reage pela rejeição.

Veja na página seguinte: Os impactos emocionais e sociais nos jovens

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