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Leucemia mielóide crónica

Leucemia mielóide crónica

Especialista fala dos principais sintomas e dos tratamentos disponíveis

Doença mieloproliferativa provocada pela fusão de dois genes nos cromossomas 9 e 22, a leucemia mielóide crónica (LMC) é uma das doenças que mais afecta os adultos entre os 40 e os 50 anos.

Apesar de se poder manifestar em todas as idades, esta variante de leucemia crónica é mais comum em pessoas de meia idade e idosos. É responsável por 15 a 20% de todos os casos de leucemia entre a população ocidental.

O hematologista António Almeida, representante do Programa EUTOS (estudo europeu de registo, tratamento e monitorização da LMC) em Portugal, responde às principais dúvidas. A leucemia mielóide crónica «é um cancro do sangue que se manifesta por uma  sobreprodução de glóbulos brancos e baço aumentado», explica o especialista.

«É causada por uma mutação específica (cromossoma Filadélfia / BCR-ABL) que gera uma enzima com actividade anómala que leva à divisão das células malignas. Com o tempo, acumulam-se mais erros genéticos e a doença pode transformar-se numa leucemia aguda difícil de tratar», refere ainda António Almeida, hematologista.

Quais são os sintomas e como é diagnosticada?

«Muitas vezes, descobre-se em análises de rotina com glóbulos brancos altos mas, às vezes, os doentes podem ter dores abdominais devido ao baço aumentado ou  hemorragias», sublinha.

Quem afecta?


«Em Portugal, estima-se que afecte 3 a 5 em cada 100 000 pessoas. É ligeiramente mais frequente nos homens e atinge sobretudo os adultos», realça o especialista.

Como se trata? Tem cura?


«Alguns doentes podem ser curados com transplante de medula mas isto é uma opção somente para cerca de 15% dos casos e, mesmo nestes, não está indicada para todos. O tratamento consiste em medicação oral que inibe a enzima defeituosa desta doença, que tem resultados muito bons em eliminar as células leucémicas e prolongar a sobrevivência dos doentes», refere.

Quais as consequências mais graves?

«Transformação para leucemia aguda e morte. Mas, com os novos tratamentos, 95% dos doentes estão vivos após 10 anos de diagnóstico», desdramatiza.

Quais os cuidados que os doentes devem ter?

«Apesar de potencialmente grave, a LMC é, agora, uma doença crónica que permite  uma vida normal aos que dela sofrem. O mais importante é não falhar a medicação porque só assim é que se consegue prevenir a sua progressão para leucemia aguda», alerta ainda.

Texto: Joana Martinho


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