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Também conhecido por unha-do-diabo, o harpago é utilizado há milénios por várias tribos africanas e foi uma das primeiras plantas medicinais que viu a sua composição ser investigada na Europa, ainda no séc. XIX.
É rico em iridóides com ação anti-inflamatória, nomeadamente no processo de inflamação e destruição das cartilagens. Contém ainda outras substâncias fitoquímicas, como os betasitosteróis, que inibem a formação de prostaglandinas.
Estas substâncias atuam ao nível da cascata inflamatória. Num estudo farmacológico concluiu-se que, em vários modelos animais, o extrato totum vegetal exerce uma ação anti-inflamatória mais eficaz que o harpagósido ou o harpagido isolados. A não esquecer os ácidos fenólicos, o óleo essencial e os flavonoides, todos eles coleréticos e com ação anti-inflamatória.
Num dos mais importantes estudos comparativos entre plantas medicinais e fármacos, o harpago demonstrou ser tão eficaz quanto o rofecoxibe. No final, o harpago foi o tratamento que conseguiu o maior número de pacientes livres de dor versus o rofecoxibe.
Tomado sem interrupção ao longo de um ano, o harpago é seguro, não apresentando efeitos adversos cardiovasculares, hemorragias ou úlceras gástricas e duodenais como os AINE. Num estudo realizado na Universidade de Freiburg, em seguimento do estudo anterior, durante 54 semanas, 90% dos pacientes que passaram a receber apenas o harpago melhoraram o perfil de dor.
Principais propriedades
Esta planta está indicada para o tratamento das dores osteoarticulares, lombalgias, cervicalgias, bursites, epicondilites, fibrosites, cefaleias e artrite reumatoide. É uma boa alternativa aos fármacos anti-inflamatórios e não tem os efeitos adversos destes. No mecanismo da inflamação (cascata inflamatória do ácido araquidónico), não inibe a COX 1, como fazem a maioria dos AINE (anti-inflamatórios não esteroides).
Consequentemente, não provoca úlceras gástricas e duodenais. A sua mais-valia a nível anti-inflamatório é a inibição da 5-lipoxigenase e das citocinas inflamatórias, um mecanismo de ação que os AINE não têm. Estimula o funcionamento do fígado, melhorando as dispepsias e o apetite. É também coadjuvante no tratamento de febres e alergias.
Administração
São utilizados os rizomas. Em comprimidos, aconselha-se uma dose entre 1,8 a 2,4 g (contendo 50 a 100 mg de harpagosido) por dia.
Remédio caseiro
Os povos que usam tradicionalmente o harpago fazem uma pasta com os rizomas frescos e aplicam diretamente nas zonas dolorosas. Como em Portugal não existe a planta fresca à venda, aconselha-se a aplicação de uma pomada que contenha esta planta.
Revisão científica: João Beles (naturopata e professor no Instituto de Medicina Tradicional de Lisboa)
A responsabilidade editorial desta informação é da revista
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